Edição Especial sobre Compras

Esta é uma edição especial da newsletter "O Joio do Trigo" — uma publicação semanal dedicada a dados, tecnologia e inteligência artificial, lida por mais de 5 mil pessoas.

O Joio do Trigo - Sobre área de compras

Esta é uma edição especial da newsletter "O Joio do Trigo" — uma publicação semanal dedicada a dados, tecnologia e inteligência artificial, lida por mais de 5 mil pessoas. Como parte do meu trabalho, leio e seleciono semanalmente diversos conteúdos sobre esses temas, especialmente em inteligência artificial (IA). Em seguida, envio as análises e os conteúdos mais relevantes para nossos leitores.

Em edições como esta, geralmente focamos mais em um tema específico, muitas vezes voltado para públicos determinados. Espero que apreciem!

Jhonata

A área de compras, sem dúvida, desempenha um papel fundamental nas organizações, lidando com temas como cadeias de abastecimento e relacionamento com fornecedores. Assim como em diversas outras funções, os processos dentro deste setor precisam considerar um ingrediente adicional: a inteligência artificial, que inclui a IA generativa e suas ferramentas. O processo histórico e natural de amadurecimento da tecnologia trouxe habilitadores que têm relação direta com conceitos como eficiência e automatização. Diante desse cenário, surge a pergunta inevitável: como a área de compras pode e deve se beneficiar disso, e quais são os possíveis impactos?

Nesta versão especial de 'O Joio do Trigo', tentaremos responder essa pergunta de forma mais abrangente, porém sem ser exaustiva. Vamos separar o joio do trigo?

Para facilitar a discussão, propomos dividi-la em três tópicos principais:

  • Metas e custos;

  • Novas oportunidades em parcerias com fornecedores estratégicos;

  • Dados e Analytics como alavanca para acelerar a captura de valor.

Sabemos que a ênfase e a prioridade certamente variam conforme o contexto do setor no qual você está inserido, seja devido à natureza global de suas cadeias de suprimentos, entre outros fatores.

Imagem construída pela inteligência artificial Midjourney

A busca pela redução de custos é constante entre os compradores, que se deparam com metas a serem alcançadas e operações cada vez mais complexas. Diante desse cenário, como equilibrar essa balança?

Dados e modelos preditivos podem servir como um copiloto e um guardião eficaz. Por exemplo, quando um item específico (ou conjunto de itens) apresenta um padrão histórico em relação a volume e preço, alterações nesse padrão deveriam gerar alertas para que uma verificação manual seja realizada. Traçando um paralelo, se você realiza uma compra com seu cartão de crédito que foge ao seu padrão usual, normalmente, o banco entra em contato para confirmar a transação, correto? Da mesma forma, quando vamos viajar, frequentemente existe uma opção para informar o banco previamente. Assim, o que esses modelos buscam identificar são os chamados outliers, ou seja, pontos fora do padrão.

Em geral, as companhias estabelecem um planejamento estratégico, seja para um ano ou para períodos mais extensos. Evidentemente, esse planejamento pode sofrer alterações. No entanto, com uma estratégia macro bem definida e modelos de previsão de demanda, as áreas de compras podem se antecipar às necessidades e estabelecer, em parceria com os fornecedores, formas de cooperação que considerem volume e preço. Além disso, modelos de previsão de demanda beneficiam toda a cadeia: a fábrica opera com mais eficiência, o operador logístico é favorecido e a distribuição é otimizada. Isso permite que a área de compras assuma um papel ainda mais estratégico dentro da empresa.

Um ator importante em todo o processo de compra é o fornecedor, nosso segundo item em foco. Com a vasta quantidade de dados gerados atualmente, aliada à capacidade das novas tecnologias no processamento de variados tipos de informações, abre-se uma significativa janela de oportunidade para se obter uma visão mais completa e personalizada da sua cadeia de fornecedores.

Conhecer bem seu fornecedor certamente vai além do preço que ele apresenta em uma RFP. Será que um processo que permita classificar os fornecedores, atribuindo-lhes uma pontuação (ou score), com base em suas capacidades, poderia estreitar laços e gerar oportunidades, incluindo inovação e novos modelos de negócios?

Frequentemente, a busca se concentra nos dados de solidez financeira do fornecedor – o que é, sem dúvida, crucial. Mas, podemos ir além? Um fornecedor sólido vai além dos números; será que os colaboradores que lá trabalham estão satisfeitos? Como métricas e objetivos de ESG vêm sendo estabelecidos? Será que o meu fornecedor honra seus compromissos e paga seus próprios fornecedores em dia? Podemos estabelecer critérios de dados, sempre com o cuidado de respeitar a LGPD, que possam contribuir para este processo de avaliação.

Existe alguma forma de analisar a cadeia de fornecedores do meu próprio fornecedor, especialmente quando há algum tipo de concentração? Por exemplo, se o insumo fundamental no processo é produzido por empresas que têm um tipo específico de CNAE, quantas dessas empresas existem e estão em operação no Brasil? Um mapeamento de risco em processos-chave possibilita ações de prevenção e, assim, evita rupturas que possam colocar a companhia em risco.

No terceiro tópico, Dados e Analytics como Alavancas para Captura de Valor, há uma forte relação com a automação de processos na área de compras. Essa relação se estende à sugestão de soluções e parceiros para setores e áreas com oportunidades claras, reforçando, novamente, o papel estratégico da área de compras. Todos os dias ouvimos falar de ChatGPT e IA generativa. Será que um parceiro estratégico com essa solução pode apoiar na captura de valor? Claramente, a ideia é aplicar provas de conceito onde a tecnologia demonstre viabilidade, como na geração de conteúdo, por exemplo.

Processos repetitivos, atualmente executados por pessoas e que podem ser medidos, talvez possam se tornar candidatos à automação, gerando, assim, eficiência e redução de custos. Acreditamos que isso liberará tempo das pessoas para tarefas que as máquinas não podem realizar, agregando mais valor à área de compras e, consequentemente, à companhia. Por exemplo, no caso da revisão de contratos – um processo diário na área de compras que muitas vezes requer interface com outros departamentos – será que parte desse processo poderia ser automatizada? Talvez na identificação de diferenças entre contratos similares ou em cláusulas que possam gerar riscos potenciais? Um alerta poderia ser gerado para focar nesse ponto específico, aumentando a eficiência e minimizando riscos.

Uma preocupação constante, especialmente para empresas com margens apertadas e grande concorrência, é o monitoramento de mudanças ou tendências de mercado, que permite um posicionamento mais adequado e ajustes ágeis que se traduzem em vantagem competitiva. Por exemplo, suponhamos que uma empresa tenha um e-commerce e faça comparações de seus SKUs com os de concorrentes. É importante, nesta análise, considerar se o frete está incluso no preço final e se determinada região geográfica é atendida, pois esses fatores impactam diretamente a dinâmica de preços.

Nosso objetivo aqui era compartilhar conceitos e aplicações para que fiquem no radar de vocês. Neste momento, acreditamos ser um ponto de inflexão – desconsiderando o ruído, claro – pode, sim, gerar muitas oportunidades, apoiando toda a companhia na busca por seus objetivos. Espero que tenham gostado, e lembrem-se: a era da IA está apenas começando! :)"

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